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terça-feira, 10 de julho de 2012

3ª Lição de 15 de Julho de 2012


A morte para o verdadeiro cristão

TEXTO ÁUREO

“Porque para mim o viver é Cristo, e o morrer é ganho” (Fp 1.21).

 O verdadeiro crente, vivendo no centro da vontade de Deus, não precisa ter medo da morte. Ele sabe que Deus tem um propósito para o seu viver, e que a morte, quando ela vier, é simplesmente o fim da sua missão terrestre, e o início de uma vida mais gloriosa com Cristo (VV. 20-25) [a]Paulo quando escreve esse texto, não anseia pela morte, mas por uma presença mais próxima de Cristo que a morte trará. Enquanto isso, ele tem uma forte sensação de que deve permanecer entre eles para que aqueles crentes cresçam e amadureçam na fé.

VERDADE PRÁTICA

Para o crente, a morte não é o fim da vida, mas o início de uma plena, sublime e eterna comunhão com Deus.

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

1 Coríntios 15.51-57.

OBJETIVOS

·       Conceituar técnica e biblicamente o evento da morte;
·       Explicar a morte no Antigo e Novo Testamento; e
·       Saber que a morte, apesar dos pesares, é o início da vida eterna.

PALAVRA CHAVE

Morte: Interrupção definitiva da vida terrena. (latim mors, mortis); Ato de morrer; O fim da vida; Cessação da vida (animal ou vegetal); Destruição; Causa de ruína;Termo, fim[b].


INTRODUÇÃO

“Porque para mim o viver é Cristo, e o morrer é ganho” (Fp 1.21). Paulo quando escreve esse texto, não anseia pela morte, mas por uma presença mais próxima de Cristo que a morte trará. Enquanto isso, ele tem uma forte sensação de que deve permanecer entre eles para que aqueles crentes cresçam e amadureçam na fé. Na continuidade do texto de Fp 1, Paulo utiliza uma expressão em referência à morte – o termo partir – que também é usada para tirar pequenas estacas de barracas ou âncora de um barco; com isso, Paulo nos ensina que a morte significa apenas levantar acampamento e continuar, ou içar as velas para outro porto [c]. Não estamos acostumados a ouvir ensinos acerca da morte, muito menos sobre como enfrentar uma situação de perca de algum ente querido; não se arrisca a falar de um tema tão triste e acabamos deixando esse assunto de lado e, o que é pior, substituindo-o por coisas triviais e terrenas como se jamais fôssemos enfrentar este momento. Todo homem, quer salvo ou não, está sujeito à morte, contudo, o crente encara a morte de modo diferente do não salvo, pois para nós, ela não é o fim da vida, mas um novo começo, como nos inspira Paulo, é um levantar acampamento e partir para uma vida mais plena, é ser liberto de todas as aflições deste mundo para ser revestido da vida e glória celestiais (2Co 5.1-5). Boa aula!

I. O QUE É A MORTE.

1. Conceito. Não é tarefa fácil definir a morte. A morte (do latim mors), o óbito (do latim obitu), falecimento (falecer+mento) ou passamento (passar+mento), ou ainda desencarne (deixar a carne) são termos que podem referir-se tanto ao cessamento permanente das atividades biológicas necessárias à manutenção da vida de um organismo, como ao estado desse organismo depois do evento. Para a medicina, é a cessação permanente da regulação cerebral das funções respiratórias, circulatórias e outras atividades reflexas, mantendo-se a vida apenas com recurso a dispositivos mecânicos que colmatam essa falta. A morte cerebral é definida pela cessão de atividade elétrica no cérebro. Porém, aqueles que mantêm que apenas o neo-córtex do cérebro é necessário para a consciência argumentam que só a atividade elétrica do neo-córtex deve ser considerada para definir a morte. Na maioria das vezes, é usada uma definição mais conservadora de morte: a interrupção da atividade elétrica no cérebro como um todo, e não apenas no neo-córtex, é adotada, como, por exemplo, na "Definição Uniforme de Morte" nos Estados Unidos [d]

2. O que as Escrituras dizem? “O salário do pecado é a morte” (Rm 6.23). Na carta aos Romanos, Paulo afirma que toda a humanidade está por natureza sob a culpa e o poder do pecado, sob o reino da morte e sob a inescapável ira de Deus (Rm 1.18,19; 3.9,19; 5.17,21). Quando criado, Adão recebeu de Deus a promessa de confirmá-lo, a ele e a sua posteridade, permanentemente nesse estado, se tão somente Adão mostrasse fidelidade, obedecendo ao mandamento de Deus (Gn 2.17). Logo, vemos que Deus não criou o homem para a morte, e isso explica porque ela é inaceitável para nós. A morte física é, ao mesmo tempo, julgamento e bênção. Ela torna toda atividade vã, porém livra o redimido da frustração terrena e abre o caminho para uma salvação eterna, que perdura além do sepulcro (Sl 73.24; Pv 14.32).

3. É a separação da alma do corpo. Teologicamente, a morte física separa a alma do corpo, o qual retorna à terra (Gn 3.21). Sabemos que não escaparemos dela, a menos que Cristo volte antes que ela ocorra. Felizmente, há uma certeza para nós: “Ora, o último inimigo a ser aniquilado é a morte” (1Co 15.26). Quando se dará? Na ressurreição dos mortos em Cristo, por ocasião da volta do Senhor Jesus. Em 1Coríntios 15.50-55, Paulo diz que quando o nosso Senhor retornar à terra, os vivos subirão com os corpos transformados, isto é, corpos íntegros e imortais. Então, se cumprirá a Palavra de Deus: “Tragada foi a morte pela vitória” (1Co 15.54). Em 1Tessalonicenses 4.16,17, lemos que os que morreram em Cristo ressuscitarão e os que estiverem vivos serão arrebatados com eles para viverem eternamente com o Senhor Jesus. Já em Apocalipse 21.4, está escrito: “E Deus limpará de seus olhos toda a lágrima; e não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor; porque já as primeiras coisas são passadas”. Isto é, a morte física terá seu fim.

SINOPSE DO TÓPICO (I)

Tecnicamente a morte é o cessamento clínico, cerebral e cardíaco irreversível do organismo. Biblicamente, porém, é a separação entre o corpo e a alma.

II. A VIDA APÓS A MORTE.

1)“Morrendo o homem, porventura, tornará a viver?” (Jó 14.14a) Jó nutria a crença de que, depois de morto, estando no sheol, Deus o traria a vida outra vez. Jó possuía a crença na ressurreição pessoal. Numa época longínqua, aquele homem já possuía uma certeza e as respostas que a maioria dos homens em todas as épocas gostaria de ter.  Entretanto, as Escrituras têm as respostas a essas perguntas.

a) Sheol. Em Salmos 16.10 e 49.14,15, o termo hebraico é “sheol”. Em grego o termo é hades, o mundo dos mortos (como que um asilo subterrâneo), incluindo suas instalações e seus ocupantes; - sepultura, inferno, abismo, Seol, morte. Salmos 16.10 afirma que os justos não foram criados para o Sheol, essa não é a morada apropriada deles. Eles não serão deixados no sepulcro ou no Sheol, mas serão resgatados desse lugar (Sl 49.15). Tais expressões denotam a idéia de imortalidade da alma e a esperança de se estar diante de Deus após a experiência da morte. Tal expectativa demonstra a certeza de que a morte não o separará de Deus e declara profeticamente que os santos de Deus serão ressuscitados em glória.

b) A esperança da ressurreição. O patriarca Jó expressou profeticamente a certeza de que, depois de seu corpo se desfazer no sepulcro, ele seria fisicamente ressuscitado e, em seu corpo reditivo, contemplaria o seu redentor: “E depois que o meu corpo estiver destruído e sem carne, verei a Deus” (19.26 cf. vv.23-25,27). O anseio de Jó por ver seu Redentor excedia em muito todos os seus demais desejos; ele aspirava pelo dia no qual veria a face do Senhor, plenamente redimido. O salmista expressou-se a esse respeito da seguinte forma: “Quanto a mim, feita a justiça, verei a tua face; quando despertar, ficarei satisfeito ao ver a tua semelhança” (17.15 cf. 16.9-11). Este pode ter sido o versículo que o apóstolo João tinha em mente quando escreveu sobre a ressurreição futura e as recompensas para os que foram maltratados na vida presente (1Jo 3.2). Os profetas Isaías e Daniel expõem a esperança da ressurreição como um encontro irreversível com Deus (Is 26.19; Dn 12.2). Estas duas ressurreições são mais explicadas em Ap 20.4-15; a primeira ressurreição acreditamos que sucederá antes do milênio, e a segunda após o milênio, precisamente antes do julgamento do grande trono branco. A ressurreição dos mortos justos confirma a esperança da vida eterna. Logo, podemos afirmar categoricamente que o Antigo Testamento, respalda, inclusive com riqueza de detalhes, que há vida e consciência após a morte.

2. O que diz o Novo Testamento. A Bíblia refere-se à morte do crente em termos consoladores. A morte para o justo, segundo Lucas, é ser levado pelos anjos “para o seio de Abrão” (Lc 16.22); é ir ao “paraíso”(Lc 23.43); é ir à casa do nosso Pai, onde há “muitas moradas” (Jo 14.2); é uma partida bem-aventurada para “estar com Cristo”(Fp 1.23), e é a ocasião de receber a “coroa da justiça”(2Tm 4.8). Nossa corporal está garantida pela ressurreição de Cristo (At 17.31; 1Co 15.12, 20-23). Essas porções bíblicas ensinam claramente a sobrevivência da alma humana fora do corpo, quer do salvo, quer do ímpio, após a morte. Jesus nos ensina acerca de uma ressurreição da vida, para o crente, e de uma ressurreição de juízo, para o ímpio (Jo 5.28,29). O crente passa do tempo para a eternidade. Paulo usou o substantivo grego kerdos significando ganho, o adjetivo kreitton significando maior, melhor ou superior, e o advérbio mallonsignificando mais ou muito mais em Filipenses 1.21-23. A combinação das palavras prova que o crente falecido não se torna inferior a uma pessoa quando ele morre: “Porque para mim tenho por certo que as aflições deste tempo presente não são para comparar com a glória que em nós há de ser revelada... E não só ela, mas nós mesmos, que temos as primícias do Espírito, também gememos em nós mesmos, esperando a adoção, a saber, a redenção do nosso corpo” (Rm 8.18,23). O corpo redimido será a finalização ou perfeição do que Deus o Espírito Santo começou na regeneração. O Espírito aplicou o que o Filho de Deus providenciou em Sua morte. O que o Filho providenciou foi em favor do eleito que o Pai lhe deu antes da fundação do mundo [e].

SINOPSE DO TÓPICO (II)

As Escrituras denotam o dom da vida como uma existência infinita e, após o evento da morte, o início de uma história eterna de comunhão com Deus.

III. MORTE, O INÍCIO DA VIDA ETERNA.

1. Esperança, apesar do luto. “[...] quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá” (Jo 11.25). O crente não teme a morte. Assim como se expressou o salmista, dizemos: "Ainda que eu andasse pelo vale da sombra da morte, não temeria mal algum …" (Sl 23.5); temos convicção de que a morte não é o fim de tudo. O homem não morre como a besta do campo e o crente morre como alguém sem esperança. Pela graça ele crê que Deus lhe deu a vida eterna, e que a morte é o meio pelo qual ele passa para uma experiência mais gloriosa dessa vida: "Tragada foi à morte na vitória" (1Co 15.54). Embora seu corpo retorne ao pó, o mesmo não permanecerá nessa corrupção. Ele será levantado dentre os mortos. O corruptível se vestirá de incorrupção, e o mortal de imortalidade. "Porque o mesmo Senhor descerá do céu com alarido, e com voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus; e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro" (1Ts 4.16).

2. A morte de Cristo e a certeza da vida eterna. O Pai entregou seu Filho em favor da humanidade, e assim o fez simplesmente por amor (Jo 3.16). Já pensou se Jesus não tivesse ressuscitado dentre os mortos? Certamente permaneceríamos mortos em nossos delitos e pecados; Se o Senhor não tivesse ressuscitado, ainda seríamos escravos do pecado; Se Cristo não tivesse ressuscitado dentre os mortos, estaríamos fazendo a vontade da carne, andando segundo o curso deste mundo, conforme a vontade do seu governante e estaríamos irremediavelmente sem esperança da vida Eterna. Essa é a razão pela qual o crente espera avidamente a vinda de Cristo. Ele anseia pelo dia quando será transformado "num momento, num abrir e fechar de olhos, ante a última trombeta" (1Co 15.52). Nesse momento glorioso todos do povo de Deus serão glorificados e entrarão na bem-aventurança dos novos céus e nova terra. Assim, a oração diária de todo filho de Deus é: "Ora vem, Senhor Jesus" (Ap 22.20). Mas isso não é tudo. A esperança do crente não é somente que ele será ressuscitado dentre os mortos quando Cristo retornar, mas que após a morte ele entrará imediatamente na presença de Cristo. O filho de Deus espera Cristo vir na morte para levá-lo ao céu, da mesma forma que espera ele vir no final do mundo. Embora o corpo retorne ao pó e não será ressuscitado até o último dia, na morte, a alma é levada ao céu. Na morte, o crente desfruta conscientemente da bem-aventurança de estar com o seu Senhor e Salvador.

3. A morte: o desfrutar da vida eterna. O livro de Eclesiastes, atribuído tradicionalmente ao rei Salomão, afirma que o dia da morte do crente é melhor do que o dia do seu nascimento: “Melhor é a boa fama do que o melhor unguento, e o dia da morte, do que o dia do nascimento de alguém” (Ec 7.1). Todos os dias do crente sobre a terra são bons, mas estar com Cristo na glória eterna será ainda melhor. No dizer de Paulo, o apogeu da bênção seria partir para estar com Cristo na glória: “Porque para mim o viver é Cristo, e o morrer é ganho. Mas, se o viver na carne me der fruto da minha obra, não sei, então, o que deva escolher. Mas de ambos os lados estou em aperto, tendo desejo de partir e estar com Cristo, porque isto é ainda muito melhor. Mas julgo mais necessário, por amor de vós, ficar na carne” (Fp 1.21-24). O crente olha para a morte como uma partida da imperfeição para perfeição (2Tm 4.6). Paulo viveu uma vida espiritual progressiva. Ela não foi ausente de dificuldade, perseguição e sofrimento. Contudo, essa vida estava em preparação para a morte, pois ele aguardava a experiência com confiança alegre e expectativa esperançosa. A morte, para todo crente, deixa de ser um inimigo, pois Cristo, por meio de sua morte e ressurreição, destruiu o poder da morte. Para o crente, morrer é lucro, pois implica em descansar na presença do Salvador.

SINOPSE DO TÓPICO (III)

Apesar da dor e do luto, para o cristão, a morte é o início do desfrutar da vida eterna.

CONCLUSÃO

As Escrituras falam da morte do crente de um modo bastante consolador. É na morte de Cristo que o crente é solicitado a transformar sua morte num lugar privilegiado do encontro derradeiro com o Pai, numa decisão de amor pessoal e de decisão definitiva acerca de seu destino. Viver e morrer para o crente significa aceitar a passagem pascal, onde a doação a Cristo e aos irmãos não se realiza sem dificuldades e desilusões, sem passar pelas inúmeras mortes cotidianas até a morte física, etapa obrigatória criada pelo ato redentor de suprema doação de Cristo que morre por amor e ressuscita para que nós possamos ressuscitar com Ele. Agora vivemos uma vida nova, porque aquele que ressuscitou a Cristo Jesus dentre os mortos, dará a vida também aos nossos corpos mortais (Rm 8.11).

Fonte: Francisco de Assis Barbosa, http://auxilioebd.blogspot.com.br/

NOTAS BIBLIOGRÁFICAS

TEXTOS UTILIZADOS:

-. Lições Bíblicas do 2º Trimestre de 2012, Jovens e Adultos, As Sete Cartas do Apocalipse — A mensagem final de Cristo à Igreja; Comentarista: Claudionor de Andrade; CPAD;
[a]
. Bíblia de Estudo Pentecostal. 1995, CPAD; nota textual Fp  1.21, pág. 1824;
[b]http://www.priberam.pt/dlpo/;
[c]. Bíblia de Estudo Plenitude, Barueri, SP. Sociedade Bíblica do Brasil, 2001; nota textual Fp  1.21, pág. 1236;
[d]http://pt.wikipedia.org/wiki/Morte;
[e]http://www.monergismo.com/textos/morte/considerar_morte_best.htm;
[f]http://www.tempodofim.com/falso_profeta.htm;
[g]. http://www.ultimato.com.br/revista/artigos/304/a-ressurreicao-do-corpo-no-ensino-de-jesus ;
 [h]. http://solascriptura-tt.org/EscatologiaEDispensacoes/RessurreicaoEsperancaGloriosa-CleversonFaria.htm ;

OBRAS CONSULTADAS:

-. Bíblia de Estudo Plenitude, Barueri, SP; SBB 2001;
-. Bíblia de Estudo Palavra Chave Hebraico e Grego, - 2ª Ed.; 2ª reimpr. Rio de Janeiro: CPAD, 2011;
-. RHODES, R. Por que coisas ruins acontecem se Deus é bom? 1.ed., RJ: CPAD, 2010;
-. GEISLER, N. Teologia Sistemática: Pecado, Salvação, A Igreja e As Últimas Coisas. 1.ed., Vol.2, RJ: CPAD, 2010;
-. SEAMANDS, S. Feridas que Curam: Levando Nossos Sofrimentos à Cruz. 1.ed., RJ: CPAD, 2006.

Os textos das referências bíblicas foram extraídos do site http://www.bibliaonline.com.br/ , na versão Almeida Corrigida e Revisada Fiel, salvo indicação específica.

quarta-feira, 4 de julho de 2012

2ª lição de 08 de Julho de 2012


A enfermidade na vida do crente

TEXTO ÁUREO

O Senhor o assiste no leito da enfermidade; na doença, tu lhe afofas1 a cama(Sl 41.3 - ARA)

1O restauras; renovas. Este Salmo, o Sl 55 e o Sl 109 descrevem a traição feita por amigos e são citados no Novo Testamento em referência a Judas Iscariotes (Lc 22.21-23). Compare Sl 41.9 com Zc 11.12 e 13 – Relato detalhado da traição ao Messias.

VERDADE PRÁTICA

Deus nem sempre cura as nossas enfermidades, mas concede-nos forças para que, mesmo no leito de dor, continuemos a glorificar o seu nome.

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

Isaías 38.1-8

OBJETIVOS

·       Explicar a origem das enfermidades;
·       Discutir a respeito das principais doenças da vida moderna; e
·       Conscientizar-se do que devemos fazer diante da dor e do sofrimento.

PALAVRA CHAVE

Enfermidade: Doença, ou outra causa que produza fraqueza.

INTRODUÇÃO

Nessa lição, veremos que pessoas santas e fiéis ao Senhor padeceram por causa de doenças e enfermidades, mas pela fé receberam forças para vencer o sofrimento. Nós, os pentecostais, pregamos insistentemente que Jesus continua curando hoje. Cremos que Deus cura ainda hoje em resposta às nossas orações. Qual é o crente não foi alvo de uma cura? Ou que não ouviu testemunhos de crentes que estiveram doentes e foram curadas?. Contudo, sabemos que apesar de todas as orações, pedidos e súplicas que possamos fazer a Deus quando ficamos doentes, é um fato inegável que muitos continuam doentes e até enfrentam a morte. Há um ensino nefasto impregnado em nosso meio que afirma que o crente fiel está livre das enfermidades, pois, dizem eles, Cristo já levou todas as nossas enfermidades e que se alguém enfermar, isso é fruto de algum pecado não confessado ou até mesmo uma seta maligna. Para muitos crentes, aqueles que adoecem e não são curados é porque lhes falta fé em Deus. Não é verdade que todos os que se encontram enfrentando doenças -- sem exceção -- estão nesse estado porque pecaram contra Deus, ficaram vulneráveis aos demônios ou não têm fé suficiente para conseguir a cura. É justamente por desconhecer o que a Palavra de Deus realmente ensina acerca disso que muitos evangélicos que enfrentam enfermidades, entram numa crise de fé e alguns até, decepcionados com a “não cura” ou com a morte, passam a não crer mais em nada e abandonam a fé. Outros, ainda, podem até permanecer, mas marcados pela dúvida e incerteza. Hoje, o nobre comentarista da lição nos leva a entender o que a Bíblia nos ensina: mesmo homens de fé podem enfrentar enfermidades!

I. A ORIGEM DAS ENFERMIDADES

1. A queda e as enfermidades. A Bíblia possui muitos exemplos de homens de fé que, embora fies ao Senhor, ficaram doentes ou até enfrentaram a morte em virtude dessas enfermidades. O profeta Eliseu padeceu de uma enfermidade que o levou a morte: “E Eliseu estava doente da enfermidade de que morreu...” (2Rs 13.14); Timóteo, discípulo de Paulo, foi recomendado a usar um remédio caseiro para minorar seu problema estomacal e enfermidades frequentes: “Não bebas mais água só, mas usa de um pouco de vinho, por causa do teu estômago e das tuas frequentes enfermidades.” (1Tm 5.23); Paulo, ao fim de seu ministério, fala acerca da enfermidade de um amigo que ele mesmo não conseguiu curar: “Erasto ficou em Corinto, e deixei Trófimo doente em Mileto.” (2Tm 4.20); Paulo mesmo padeceu sob enfermidade designada por ele como “espinho na carne”. Não é o caso indagarmos se estes homens oraram e suplicaram e Deus não os atendeu. Paulo mesmo afirma que sobre isto orou, mas continuou a padecer do seu mal (2Co 12.7-9). Também podemos mencionar Epafrodito, que ficou gravemente doente quando visitou o apóstolo Paulo: “... [Epafrodito] esteve doente, e quase à morte; mas Deus se apiedou dele, e não somente dele, mas também de mim, para que eu não tivesse tristeza sobre tristeza.” (Fp 2.26-27). Ainda poderíamos elencar o caso Isaque, que sofria da vista quando envelheceu, a ponto de não saber distinguir entre Jacó e Esaú: “...como Isaque envelheceu, e os seus olhos se escureceram, de maneira que não podia ver ....” (Gn 27.1). Esses e outros exemplos mostram que homens de Deus, fiéis e santos, foram vitimados por enfermidades. As enfermidades são consequência direta do rompimento da relação entre Deus e o homem caído, embora isso não signifique que toda vez que uma pessoa adoece é porque está em pecado. As enfermidades podem ser originadas das seguintes causas: O pecado original – Rm 5.12; O pecado pessoal não confessado – Tg 5.14-16; Jo 5.14; 1Co 11.30; Sl 32 e 38; Ingerência de Satanás – Jó 1 e 2; Lc 13; Desobediência aos mandamentos de Deus – Ex 15.26; Dt 28); Inobservância das leis naturais de Deus – higiene, cuidado com o corpo, alimentos, sono, etc; Problemas naturais – Catástrofes, acidentes, terremotos, enchentes; Epidemias – dengue, etc; Vícios e vida desregrada – álcool, fumo, drogas, sexo irresponsável, ansiedade; Castigo de Deus – Dt 28; Manifestar a glória de Deus – João 9 e 11.

2. Provados pelas enfermidades. Sabemos que Deus pode fazer o mal transformar em bem para cumprir os seus propósitos (Jo 9; 11; 1Sm 1.5,6; Rm 8.28) e cremos que Ele pode utilizar as enfermidades, que são em si mesmas um mal, para trazer uma lição para nós. ‘E na enfermidade que o homem lembra-se que é pó, quando a maioria de nós vive como se não fosse morrer. Muitos crentes estão vivendo como se a terra fosse o seu lar eterno. Planejam e projetam para o futuro, como o rico insensato como se tivessem uma apólice vitalícia de vida e nunca tivessem que prestar contas. Uma doença grave, às vezes, faz muito para que este engano seja desfeito. “Põe em ordem a tua casa, porque morrerás e não viverás” (2Rs 20.1). As enfermidades nos condicionam a certas obrigações que deveriam ser uma constante em nossa vida crista: necessidade de viver constantemente preparado para encontrar-se com Deus; necessidade de viver constantemente em prontidão para suportá-la com paciência; e necessidade de constante prontidão para ajudar os nossos semelhantes a enfrentarem a doença.

3. Enfermidades de origem maligna. As enfermidades podem ter como origem a Ingerência de Satanás (Jó 1 e 2; Lc 13), lembrando que, agora somos filhos de Deus e que o inimigo não possui autoridade para nos tocar (1Jo 3.2). O maligno, com todas as suas forças, artimanhas e maldade, pode atingir os nossos corpos, como atingiu Jó, mas nunca poderá vencer aos novamente nascidos (1Jo 5.18). Jamais poderá tocar na alma (Mt 10.28) dos escolhidos e salvos. É Deus quem nos guarda! Lembremo-nos, irmãos, que o Diabo, inimigo das nossas almas, pode tentar-nos, provar-nos, mas nunca acima daquilo que podemos suportar (1Co 10.13).


SINOPSE DO TÓPICO (I)

Deus não criou o homem para enfermar ou morrer. A enfermidade é consequência direta do rompimento da relação entre Deus e a humanidade.

II. AS DOENÇAS DA VIDA MODERNA

1. Depressão. É comum as pessoas confundirem depressão com tristeza. Contudo, existe uma grande diferença. A medicina psicossomática vê o homem como uma unidade que sente e sofre de maneira global - Nós somos um ser integral( Lc 2.52): somático, social, intelectual e espiritual. Sentir-se abatido de tempos em tempos é algo normal que faz parte da vida. Mas quando o vazio e o desespero tomam conta da vida, tornando-se permanente, afetando a motivação e o sentido da vida, talvez seja depressão. Quando se está deprimido, as coisas parecem inúteis, sem sentido. O crente não está livre de sentir-se e passar por altos e baixos no humor. A tristeza é uma reação normal às situações de vida, tais como lutas, perdas, derrotas e decepções. Apesar de muitas pessoas usarem o termo “depressão” para explicar estes tipos de sentimentos, a depressão é muito mais do que tristeza. A depressão pode ser descrita como “viver num buraco negro” ou ter um sentimento de desgraça constante. Seja qual for o sintoma, a depressão é diferente da tristeza normal ou da simples desmotivação, na medida em que anula o seu dia-a-dia, interferindo com a sua capacidade de trabalhar, estudar, comer, dormir e divertir-se. Os sentimentos de desamparo, desesperança, inutilidade são intensos e implacáveis, com pouco ou nenhuma alívio.

2. Síndrome do pânico. A síndrome do pânico é uma condição mental que faz com que o indivíduo tenha ataques de pânico esporádicos, intensos e muitas vezes recorrentes. Pode ser controlado com medicação e psicoterapia. É importante ressaltar que um ataque de pânico pode não constituir doença (se isolado) ou ser secundário a outro transtorno mental. É um tipo de transtorno de ansiedade no qual ocorrem ataques repetidos de medo intenso de que algo ruim aconteça de forma inesperada. A causa é desconhecida A genética pode ser um fator determinante. Pesquisas indicam que, se um gêmeo idêntico tem síndrome do pânico, o outro gêmeo também desenvolverá o problema em 40% das vezes. No entanto, a síndrome do pânico em geral ocorre sem que haja nenhum histórico familiar. A síndrome do pânico é duas vezes mais comum em mulheres do que em homens. Os sintomas normalmente começam antes dos 25 anos, mas podem ocorrer depois dos 30. Embora a síndrome do pânico ocorra em crianças, ela normalmente não é diagnosticada até que as crianças sejam mais velhas [1];[2]. Qualquer tipo de pressão é vencido quando tudo é relatado ao Senhor em oração (Fp 4.6).

3. As doenças psicossomáticas. As doenças psicossomáticas são provocadas por distúrbios emocionais, como estresse, depressão e descontroles dos processos mentais. Essas doenças se diferem das doenças orgânicas. Estes problemas emocionais são responsável pelo desenvolvimento de sintomas que provocam danos no corpo humano como, diarreia, herpes, enxaqueca, reumatismo, úlcera, etc. O nosso corpo expressa as emoções através de algumas manifestações físicas como calor, dores de barriga, travamento dos dentes, etc. As doenças psicossomáticas podem se desenvolver, tornando-se uma doença grave, qualquer pessoa pode ter esta doença. A mente e o corpo formam um sistema único e os mecanismos inconscientes são muito presentes nesta ligação. Por isso é comum a sensação inicial de que os sintomas “vieram de repente”, “ou não existir nenhum motivo para que os sintomas aparecessem”. É difícil para um paciente com gastrite identificar quais podem ter sido as causas emocionais de desencadeamento de uma nova crise. A ansiedade e a irritabilidade são sentimentos comuns nos quadros psicossomáticos, e há uma tendência a identificar e culpabilizar eventos externos pelo problema, aumentando a sensação de impotência diante das dificuldades [3]. Orar e meditar na Palavra de Deus também é uma forma eficiente de cuidado com a saúde (Pv 4.20-22).


SINOPSE DO TÓPICO (II)

O crente fiel não está imune a depressão, síndrome do pânico ou as doenças chamadas psicossomáticas.

III. O QUE FAZER DIANTE DA DOR E SOFRIMENTO

1. Não culpar ou questionar a Deus. O homem foi criado para gozar a felicidade. Ninguém gosta de tristeza, de sofrimento, de dor. Contudo, é útil meditarmos sobre nossa atitude diante do sofrimento e da dor, entender que o sofrimento está presente no mundo em múltiplas formas e manifestações, e que não podemos fugir dele de forma alguma. O que fazer diante das pessoas que sofrem, e como reagir diante do nosso próprio sofrimento? Se Deus não deseja que o homem sofra, por que permite o sofrimento? São perguntas que, provavelmente, nunca terão uma resposta que nos deixe totalmente satisfeitas. A Bíblia nos diz que o sofrimento é uma realidade da existência que começou a existir no Universo por causa do pecado (Gn 3.16-18). A palavra hebraica traduzida por dor nessa passagem é ‘itstsebõn, uma forma do verbo ‘ãtsav, que quer dizer “lesar”, “perturbar” e “afligir”. O termo refere-se tanto à dor física quanto à emocional. Deus criou o mundo perfeito, mas o pecado provocou desordem - “De que se queixa, pois, o homem vivente? Queixe-se cada um dos seus próprios pecados” (Lm 3.39).

2. Confiar em meio à dor. “Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal nenhum, porque tu estás comigo [...] (Sl 23.4 — ARA)”. O Salmo 91 fala que Deus promete nos guardar, mas Jesus também disse, citando Deuteronômio 6.16, que não devemos tentar a Deus (Mt 4.7). O simples fato de estarmos no mundo faz com que estejamos sujeitos a sofrimentos. Portanto, devemos ser precavidos. O fato de sermos crentes em Cristo não nos torna, por exemplo, imunes a todas as consequências de nossos erros. Não podemos quebrar deliberadamente leis naturais, flertarmos constantemente com o perigo, dar ocasião ao mal e acharmos que Deus é obrigado a nos livrar de todos os males decorrentes dessa nossa atitude.

3. A espera de um milagre. É bom lembrar que há sofrimentos em nossa vida que são permitidos por Deus para que sejamos de alguma forma, amadurecidos. Não que sejam resultados de pecados ou negligência nossa, mas foram permitidos por Deus para um fim proveitoso. Jesus ensinou acerca de deficiências para a glória de Deus. Isto é, deficiências que não foram provocadas por atitudes nossas ou de alguém, mas permitidas por Deus para moldar o nosso caráter ou para depois serem debeladas pelo poder divino com o objetivo de produzir acréscimo de fé nas pessoas, principalmente em quem recebe a cura (Jo 9.1-3). Portanto, a partir dessas verdades, passamos a ter uma visão correta sobre Deus e a vida em meio ao sofrimento, e a lidar diferentemente com as nossas dores. O homem sem Deus desconhece o seu futuro, mas o crente tem a certeza da vida eterna e sabe que o Todo-Poderoso jamais nos deixará: “O Senhor conhece os dias dos retos, e a sua herança permanecerá para sempre” (Sl 37.18). Deus é soberano e sabe o que faz. Se Ele permite que algumas tragédias aconteçam, há uma razão para isso. Confiemos em Seu amor, em Sua justiça e em Sua sabedoria.

SINOPSE DO TÓPICO (III)

A dor e o sofrimento não devem nos afastar de Deus, mas devem servir para que aprendamos a confiar ainda mais no Senhor.

CONCLUSÃO

É normal alguém se precipitar e afirmar que um crente pode estar sofrendo uma adversidade intensa específica ou passar por alguma morte trágica devido a algum pecado não confessado – assim como os “amigos” de Jó. O Mestre amado ensina-nos que não nos compete julgar se foi castigo de Deus ou não. Deus realmente pesa sua mão para punir o pecador impenitente, disso podemos elencar vários exemplos no Antigo e no Novo Testamento que o comprovam. Não obstante isso, não está em nossa esfera fazer esse tipo de julgamento. O que cabe a nós hoje é nos compadecer pelos que se encontra em sofrimento. A Bíblia inclusive afirma que “aquele que se alegrar na calamidade não ficará impune” (Pv 17.5). É conveniente, anda salientar que uma das características bíblicas dos verdadeiros servos de Deus é “chorar com os que choram”.

Fonte: Francisco de Assis Barbosa, auxilioaomestre@bol.com.br


NOTAS BIBLIOGRÁFICAS

TEXTOS UTILIZADOS:
-. Lições Bíblicas do 3º Trimestre de 2012, Jovens e Adultos, Vencendo as aflições da vida — Muitas são as aflições do justo, mas o Senhor o livra de todas; Comentarista: Eliezer de Lira e Silva; CPAD;
[1]- 
http://pt.wikipedia.org/wiki/Transtorno_do_p%C3%A2nico;
[2]- 
http://www.minhavida.com.br/saude/temas/sindrome-do-panico;
[3]- 
http://pt.wikipedia.org/wiki/Doen%C3%A7a_psicossom%C3%A1tica

OBRAS CONSULTADAS:
-. Bíblia de Estudo Pentecostal, CPAD;
-. Bíblia de Estudo Plenitude, Barueri, SP; SBB 2001;
-. Bíblia de Estudo Palavra Chave Hebraico e Grego, - 2ª Ed.; 2ª reimpr. Rio de Janeiro: CPAD, 2011;
-. Bíblia de Estudo Genebra, São Paulo e Barueri, Cultura Cristã e Sociedade Bíblica do Brasil, 1999;
-. Bíblia de Estudo Palavra Chave Hebraico e Grego, - 2ª Ed.; 2ª reimpr. Rio de Janeiro: CPAD, 2011;
-. JOHNSON, B. Como Receber a Cura Divina: A bênção dos que têm a Jesus como o médico da alma e do corpo. 2.ed., RJ: CPAD, 1995;
-. HORTON, S. Teologia Sistemática: Uma perspectiva pentecostal. 1.ed., RJ: CPAD, 1996.

Os textos das referências bíblicas foram extraídos do site http://www.bibliaonline.com.br/ , na versão Almeida Corrigida e Revisada Fiel, salvo indicação específica.

terça-feira, 26 de junho de 2012

1ª Lição de 01 de Julho de 2.012


No mundo tereis aflições

TEXTO ÁUREO

Tenho-vos dito isso, para que em mim tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo; eu venci o mundo” (Jo 16.33).

Mesmo em meio à perseguição há uma paz alegre na certeza da vitória em Cristo (Is 9.6; Rm5.1; Ef 2.14; 2Tm 3.12; Rm 8.37; 1Jo 4.4).

VERDADE PRÁTICA

Mesmo sofrendo as consequências da queda, sabemos que Deus está no controle de todas as coisas.

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

João 16.20,21,25-33.

OBJETIVOS

·       Descrever as aflições do tempo presente;
·       Responder “por que o crente sofre?”; e
·       Conscientizar-se de que podemos crescer e desfrutar da paz do Senhor no sofrimento.

PALAVRA CHAVE

Mundo: [gr. kosmos, ordem, beleza; do lat. mundus, puro] É a terra e o conjunto de todas as coisas criadas por Deus. Frequentemente é usado para querer dizer a soma de experiência humana na história, ou a 'condição humana' em geral. Especialmente num contexto metafísico, também pode referir a tudo que compõe a realidade.

INTRODUÇÃO

Prezados amigos do Blog Auxílio ao Mestre, pela imensa graça do Soberano Deus, damos início ao terceiro trimestre de 2012 com o tema “Vencendo as aflições da vida — Muitas são as aflições do justo, mas o Senhor o livra de todas”, escrito pelo Pr. Eliezer de Lira e Silva, membro do ministério da IEAD em Curitiba, Comentarista das revistas de Escola Dominical - Lições Bíblicas da CPAD, Bacharel em Teologia, fundador e diretor do Projeto Missionário “Ide e Ensinai” em Moçambique, conferencista na área de liderança ministerial e com casais.

Não são poucas as afirmações equivocadas de que “o crente não sofre neste mundo”. Porém, o Pr Eliezer discorre na presente lição exatamente o contrário daquilo que estão alardeando em nossos púlpitos. A vida que Jesus prometeu aos crentes não é uma vida somente de prazeres, mas Ele avisou que teríamos tribulações (Jo 16.33). A Bíblia mostra que, ao contrário daquilo que muitos andam pregando, exatamente por sermos crentes, enfrentaremos aflições (2Tm 3.12; Mt 10.22; Jo 15.20; At 14.22). Estamos sujeitos aos acontecimentos de ordem natural, econômica e física no mundo que habitamos, os quais não se abatem apenas sobre os ímpios, mas também se sobrepõem aos crentes fiéis.

I.              AS AFLIÇÕES DO TEMPO PRESENTE

1. De ordem natural. Presenciamos uma desordem nunca antes vista na natureza. Apesar dos falsos alarmes, não podemos ignorar a devastação provocada pela ação irresponsável do homem. As dores de parto estão se amiudando, ficando mais intensas, mais fortes, mais preocupantes. A Bíblia diz que a criação geme e está com “dores de parto” pelo que o ser humano tem-lhe feito (Rm 8.22). A violência explode em todo o mundo. Violência no trânsito; violência sexual; violência contra a vida; contra a mulher; contra crianças. Milhões de homens, mulheres e crianças obrigados a um exílio forçado pelas circunstâncias, em várias partes do mundo. Tribos em guerra fratricida. Milhares fugindo de ditaduras, de perseguições. Fugindo dos próprios compatriotas, da terra natal, de suas origens. Fugindo sem destino certo, sem rumo. Nas maiores cidades do Brasil as autoridades se declaram incompetentes diante das atrocidades de gangues. São problemas de ordem natural que sobre caem não apenas aos infiéis.

2. De ordem econômica. Outra aflição que se abate sobre o mundo é a de ordem financeira. A crise econômica internacional empobrece países, nações e famílias. Quantos não deram cabo da própria vida porque, da noite para o dia, descobriram que perderam todos os bens? Em nosso país, milhões de pessoas sobrevivem com menos de um salário mínimo. A pobreza, a fome e a miséria continuam a flagelar vidas ao redor do mundo, inclusive as dos servos de Deus (Mc 12.41-44). As Escrituras apresentam como sendo a nossa porção nesta vida: "Tenho-vos dito estas coisas, para que em mim tenhais paz. No mundo tereis tribulações; mas tende bom ânimo, eu venci o mundo" (Jo 16.33); "Por muitas tribulações nos importa entrar no reino de Deus" (At 14.22); "Para que ninguém seja abalado por estas tribulações; porque vós mesmos sabeis que para isto fomos destinados" (1Ts 3.3). As nossas aflições são determinadas por Deus, com o objetivo de produzirem frutos para o nosso bem e para a Sua glória.

3. De ordem física. Segundo dados da Organização Mundial de Saúde, doenças como câncer, hepatite, hipertensão arterial, depressão e obesidade são consideradas as pragas do século XXI. Essa informação traz-nos algumas indagações: Será que o crente fiel não é vítima de câncer? Ou não desenvolve a depressão e não sofre de hipertensão arterial? Não precisamos de muito esforço para reconhecer que as enfermidades também atingem os salvos e é consequência da queda (Rm 6.23). Mesmo cientes de que as doenças acometem igualmente o servo de Deus, é impossível ignorar que há enfermidades de natureza espiritual e oriundas de práticas pecaminosas (Mt 9.32,33; Jo 5.14,15). Como uma decorrência da queda de Adão e Eva. Embora a Bíblia não discuta claramente a origem do mal, Ela declara a estreita relação entre a queda da humanidade e o advento do sofrimento. Pelo pecado entrou a morte e o sofrimento no mundo (Gn 3.16-19; Rm 5.12). Entretanto, todo sofrimento não nos é causado por estarmos em pecado (Sl 34.19; Pv 11.31; Sl 73.13-15; 44.17-18,20-22), mas por permissão divina, para cumprir Seus propósitos


SINOPSE DO TÓPICO (I)

As aflições do tempo presente são representadas pelas crises de ordem natural, econômica e física. Malefícios que acometem igualmente o servo de Deus.

II. POR QUE O CRENTE SOFRE

1. A queda. O sofrimento é algo comum a todos os homens, sejam ímpios sejam justos. Uma razão para a existência do mal é a queda humana. Deus fez um mundo perfeito (Gn 1.31), mas a transgressão de Adão trouxe a tristeza, a dor e a morte (Gn 3.16-19; Rm 5.12). Por isso, todos estão igualmente sujeitos ao sofrimento (Rm 2.12; 8.22). O crente experimenta sofrimento como uma decorrência da queda de Adão e Eva. Quando o pecado entrou no mundo, entrou também a dor, a tristeza, o conflito e, finalmente, a morte sobre o ser humano (Gn 3.16-19). A Bíblia afirma o seguinte: “Pelo que, como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, por isso que todos pecaram” (Rm 5.12). Realmente, a totalidade da criação geme sob os efeitos do pecado, e anseia por um novo céu e nova terra (Rm 8.20-23; 2Pe 3.10-13). É nosso dever sempre recorrermos à graça, fortaleza e consolo divinos (cf. 1Co 10.13).

2. A degeneração humana. Com a queda no Éden, o homem sofreu um processo de degeneração moral, social e espiritual. Tal degradação, observada na vida de Caim (Gn 4.8-16), Lameque (Gn 4.23,24) e de toda aquela geração, levou Deus a destruir o mundo pelo dilúvio (Gn 6.1-7.24). O relato bíblico mostra claramente a corrupção humana e o aparecimento do ódio, da violência, das guerras e de todos os atos que contrariam a vontade divina. Não é exatamente essa a situação da sociedade atual? A humanidade acha-se em franca rebelião contra Deus (Rm 3.23). Certos crentes sofrem pela mesma razão que os descrentes sofrem, isto é, consequência de seus próprios atos. A lei bíblica “Tudo o que o homem semear, isso também ceifará” (Gl 6.7) aplica-se a todos de modo geral. Se guiarmos com imprudência o nosso automóvel, poderemos sofrer graves danos. Se não formos comedidos em nossos hábitos alimentares, certamente vamos ter graves problemas de saúde. É nosso dever sempre proceder com sabedoria e de acordo com a Palavra de Deus e evitar tudo o que nos privaria do cuidado providente de Deus.

3. O novo nascimento e o sofrimento. A experiência pessoal e genuína do novo nascimento gera no crente uma natureza oposta a da queda (1 Jo 5.1,19). Entretanto, apesar de ter nascido de novo, o crente em Jesus não deixa de experimentar o sofrimento, pois, como disse Agostinho de Hipona: “A permanência da concupiscência em nós é uma maneira de provarmos a Deus o nosso amor a Ele, lutando contra o pecado por amor ao Senhor; é, sobretudo, no rompimento radical com o pecado que damos a Deus a prova real do nosso amor”. Assim, experimentamos o sofrimento porque habitamos um corpo que ainda não foi transformado, mas que espera a sua plena glorificação (1 Co 15.35-58). O crente também sofre, pelo menos no seu espírito, por habitar num mundo pecaminoso e corrompido. Por toda parte ao nosso redor estão os efeitos do pecado. Sentimos aflição e angústia ao vermos o domínio da iniquidade sobre tantas vidas (Ez 9.4; At 17.16; 2Pe 2.8). É nosso dever orar a Deus para que Ele suplante vitoriosamente o poder do pecado.

SINOPSE DO TÓPICO (II)

A Queda e a degeneração humana são as chaves para se compreender a realidade do sofrimento.

III. O CRESCIMENTO E A PAZ NAS AFLIÇÕES

1. A soberania divina na vida do crente. A soberania divina na existência do crente garante-lhe que os olhos de Deus sondem-lhe a vida por inteiro. Somos em suas mãos o que o vaso é nas mãos do oleiro (Jr 18.4). Por isso, você pode falar como o salmista: “Eu me alegrarei e regozijarei na tua benignidade, pois consideraste a minha aflição; conheceste a minha alma nas angústias” (Sl 31.7). Querido irmão, querida irmã, não se desespere! O Senhor, Criador dos céus e da terra, cuida inteiramente de você e dos seus, porque “a terra é do Senhor e toda a sua plenitude” (1 Co 10.26). Deus pode usar o sofrimento como catalizador para o nosso crescimento ou melhoramento espiritual. 

(a) Frequentemente, Ele emprega o sofrimento a fim de chamar a si o seu povo desgarrado, para arrependimento dos seus pecados e renovação espiritual (ver o livro de Juízes). É nosso dever confessar nossos pecados conhecidos e examinar nossa vida para ver se há alguma coisa que desagrada o Espírito Santo. 

(b) Deus, às vezes, usa o sofrimento para testar a nossa fé, para ver se permanecemos fiéis a Ele. A Bíblia diz que as provações que enfrentamos são “a prova da vossa fé” (Tg 1.3; ver 1.2 nota); elas são um meio de aperfeiçoamento da nossa fé em Cristo (ver Dt 8.3 nota; 1Pe 1.7 nota). É nosso dever reconhecer que uma fé autêntica resultará em “louvor, e honra, e glória na revelação de Jesus Cristo” (1Pe 1.7). 

(c) Deus emprega o sofrimento, não somente para fortalecer a nossa fé, mas também para nos ajudar no desenvolvimento do caráter cristão e da retidão. Segundo vemos nas cartas de Paulo e Tiago, Deus quer que aprendamos a ser pacientes mediante o sofrimento (Rm 5.3-5; Tg 1.3). No sofrimento, aprendemos a depender menos de nós mesmos e mais de Deus e da sua graça (ver Rm 5.3 nota; 2Co 12.9 nota). É nosso dever estar afinados com aquilo que Deus quer que aprendamos através do sofrimento. 

(d) Deus também pode permitir que sofressem dor e aflição para que possamos melhor consolar e animar outros que estão a sofrer (ver 2Co 1.4 nota). É nosso dever usar nossa experiência advinda do sofrimento para encorajar e fortalecer outros crentes.

2. Tudo coopera para o bem. A vontade de Deus para as nossas vidas é boa, perfeita e agradável (Rm 12.2). O escritor aos Hebreus reconhece que o Senhor, muitas vezes, usa a provação para corrigir-nos e fazer brotar em nossa vida o “fruto pacífico de justiça” (Hb 12.3-11). No exercício desse processo, crescemos como pessoas e servos de Deus, aprendendo na faculdade das aflições da vida. Assim, podemos dizer inequivocamente que “todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados por seu decreto” (Rm 8.28). Finalmente, Deus pode usar, e usa mesmo, o sofrimento dos justos para propagar o seu reino e seu plano redentor. Por exemplo: toda injustiça por que José passou nas mãos dos seus irmãos e dos egípcios faziam parte do plano de Deus “para conservar vossa sucessão na terra e para guardar-vos em vida por um grande livramento” (Gn 45.7). O principal exemplo, aqui, é o sofrimento de Cristo, “o Santo e o Justo” (At 3.14), que experimentou perseguição, agonia e morte para que o plano divino da salvação fosse plenamente cumprido. Isso não exime da iniquidade aqueles que o crucificaram (At 2.23), mas indica, sim, como Deus pode usar o sofrimento dos justos pelos pecadores, para seus próprios propósitos e sua própria glória.

3. Desfrutando a paz do Senhor. Olhar para o sofrimento e a aflição humana e, paradoxalmente, desfrutar da paz de Cristo, parece-nos loucura! Mas não o é quando entendemos que Deus age segundo o conselho da sua vontade, visando sempre o bem e o crescimento dos seus filhos. O deserto da vida não é percorrido sob a ilusão mágica da “sombra e água fresca”, mas com os pés firmes na realidade desértica do sol escaldante (Rm 5.1-5; Fp 4.7). Nesse interregno, porém, desfrutamos a bondade, a misericórdia e a proteção do Criador dos céus e da terra. Mesmo vivendo em um mundo de aflições, podemos experimentar a paz que excede todo o entendimento e cantar em alto e bom som o coro do hino 178 da Harpa Cristã: “Paz, paz/ gloriosa paz/ Paz, paz/ perfeita paz/ desde que Cristo minh'alma salvou/ tenho doce paz!”. O primeiro fato a ser lembrado é este: Deus acompanha o nosso sofrer. Satanás é o deus deste século, mas ele só pode afligir um filho de Deus pela vontade permissiva de Deus. Deus promete na sua Palavra que Ele não permitirá sermos tentados além do que podemos suportar (1Co 10.13). Temos também de Deus a promessa que Ele converterá em bem todos os sofrimentos e perseguições daqueles que o amam e obedecem aos seus mandamentos (ver Rm 8.28 nota). José verificou esta verdade na sua própria vida de sofrimento (cf. Gn 50.20), e o autor de Hebreus demonstra como Deus usa os tempos de apertos da nossa vida para nosso próprio crescimento e benefício (ver Hb 12.5). Além disso, Deus promete que ficará conosco na hora da dor; que andará conosco “pelo vale da sombra da morte” (Sl 23.4; cf. Is 43.2).

SINOPSE DO TÓPICO (III)

O crente em Jesus pode crescer na graça e desfrutar a paz de Deus em meio ao sofrimento. O Senhor é soberano e tudo coopera para o bem daqueles que O amam.

CONCLUSÃO

Neste mundo, estamos sujeitos às aflições e sofrimentos de qualquer espécie. A vida cristã envolve períodos difíceis e trabalhosos. No entanto, se a nossa expectativa estiver na soberania de Deus e no seu bem, desfrutaremos, mesmo que andemos em aflição, da mais perfeita e sublime paz de Cristo. Que ao longo desse trimestre, o Todo-Poderoso ilumine lhe a mente e o coração para deleitar-se em sua eterna e maravilhosa graça. Cruzando o deserto do sofrimento, devemos examinar qual é a razão desse sofrimento e ver em que sentido o sofrimento concerne a você. Creia que Deus se importa sobremaneira com você, independente da severidade das suas circunstâncias (Rm 8.36; 2Co 1.8-10; Tg 5.11; 1Pe 5.7). O sofrimento nunca deve nos levar a concluir que Deus não nos ama. Deus dará a graça necessária para suportar a aflição até chegar o livramento (1Co 10.13; 2Co 12.7-10).

Fonte: Francisco de Assis Barbosa, auxilioaomestre@bol.com.br

NOTAS BIBLIOGRAFICAS

TEXTOS UTILIZADOS:
-. Lições Bíblicas do 3º Trimestre de 2012, Jovens e Adultos, Vencendo as aflições da vida — Muitas são as aflições do justo, mas o Senhor o livra de todas; Comentarista: Eliezer de Lira e Silva; CPAD;

OBRAS CONSULTADAS:
-. Bíblia de Estudo Pentecostal, CPAD;
-. Bíblia de Estudo Plenitude, Barueri, SP; SBB 2001;
-. Bíblia de Estudo Palavra Chave Hebraico e Grego, - 2ª Ed.; 2ª reimpr. Rio de Janeiro: CPAD, 2011;
-. Bíblia de Estudo Genebra, São Paulo e Barueri, Cultura Cristã e Sociedade Bíblica do Brasil, 1999;
-. Bíblia de Estudo Palavra Chave Hebraico e Grego, - 2ª Ed.; 2ª reimpr. Rio de Janeiro: CPAD, 2011; 
-. COLSON, C.; PEARCEY, N. E Agora Como Viveremos? 2.ed., RJ: CPAD, 2000; 
-. RHODES, R. Por que coisas ruins acontecem se Deus é bom? 1.ed., RJ: CPAD, 2010.

Os textos das referências bíblicas foram extraídos do site http://www.bibliaonline.com.br/ , na versão Almeida Corrigida e Revisada Fiel, salvo indicação específica.